Intro: E5 B5
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta em sua longa jornada
A5 E5 B5 E5
É sentir poeira no rosto - o pó-de-arroz da estrada
B5 A5 E5
Sentir cheiro de gado, que traz o vento da tarde
A5 B5 E5
Qual o perfume mais caro, dos ricaços da cidade.
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta é um som sentimental
A5 E5 B5 E5
Do berrante que virou instrumento musical
E5 B5 A5 B5
Em muitos discos que ouve no final de uma canção
A5 B5 E5
O berrante repicando como um grito no sertão.
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta é dormir sobre o baixeiro
A5 E5 B5 E5
Tendo o céu por cobertor e o capim por travesseiro
E5 B5 A5 B5
No grande quarto da noite, a grama verde é colchão
A5 B5 E5
No telhado do infinito o luar é seu lampião.
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta é nas tardes de mormaço
A5 E5 B5 E5
Fazer um boi pantaneiro rolar na ponta do laço
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta é ouvir pelas pousadas
A5 B5 E5
Os peões contando casos de estouros de boiadas.
E5 B5 A5 B5
Do que o boiadeiro gosta é ver a branca neblina
A5 E5 B5 E5
Que se forma nas baixadas e sobe pelas colinas
E5 B5 A5 B5
A onde a boiada dorme dos espigões às encostas
A5 B5 E5
Gostoso é também gostar do que o boiadeiro gosta.